“Sei que sou
Bonita e gostosa
E sei que você
Me olha e me quer
Eu sou uma Fera
De pele macia
Cuidado garoto!
Eu sou perigosa...” (PERIGOSA, As Frenéticas)
Há! Quem dera fosse freneticamente decidida, altiva e dona de mim!
Minhas vontades são muitas... Sou como aquele castelo feito na areia, sempre pronto para ser desfeito e reconstruído... Minhas bases são incertas: insegura, tímida... decidia, despojada... doce, amarga... bonita, feia... Gorda, magra... Tudo depende de como o outro me ver e de que material foi feito o espelho que me vejo...
Posso dizer: “Sei que sou bonita e gostosa”... Mas não me escapa: Sei que sou sem graça e horrorosa... Vivo em uma inexatidão de ser que em complexidades de mazelas infundadas corrompem minha própria existência...
Às vezes sinto-me feita de pedra e às vezes de brisa. Ora sendo a mão estendida, ora o tapa no rosto... Às vezes procuro abrigo, às vezes prefiro gozar a chuva... Às vezes ando com os pés no chão, outras vezes falto cair das nuvens... Às vezes sonho acordada e às vezes durmo vazio, sem sonhos. Muitas e muitas vezes sou multidão e algumas vezes, deserto...
Eu gosto do impossível, tenho medo do provável, dou risada do ridículo e choro porque tenho vontade, mas nem sempre tenho motivo. Tenho um sorriso confiante que às vezes não demonstra o tanto de insegurança por trás dele. Sou inconstante e talvez imprevisível... Nesta luta me perco, tentando me encontrar!
Meus pensamentos estão em constante embate... E percebo que talvez eu nem saiba discernir a mim mesma... Quem sabe seja por isso que assim eu me encontro, sem nexo no paralelo da existência... Essa inconstância me abate a alma... Sei que são as incertezas que movem o mundo, mas a arbitrariedade subumana ainda me assusta...
Minha fala, minhas roupas, minhas atitudes são protesto porque ainda não encontrei meu lugar ao sol... Essa sou EU uma adolescente em formação.
DANIELA SÁ
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